Sandra Olivença : Hipnose Clínica, Massagem Quântica e Reiki, Constelações Familiares
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Poesia
Não te gosto em silêncio...
 

Não te gosto em silêncio…

 

Não te gosto em silêncio porque te sinto distante…

Entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia

Como entre o dia e a noite

Vacila a longa dúvida do crepúsculo.

 

Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos, pousados,

Dois estranhos pássaros nocturnos,

E teus lábios emudecem como a fonte nos ásperos

E intermináveis Invernos.

 

Não te gosto em silêncio quando te envolves com as coisas

Que te cercam, como se fosses uma delas,

Quando estás como as águas paradas, cuja beleza

É apenas o reflexo das estrelas.

Por isso te provoco e te atiro perguntas

Como pedras quebrando a impassibilidade do lago,

Como pancadas no gongo que estremece e vibra

E te traz à tona para mim.

 

Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás de tua voz

Ainda se esconde alguém que tu própria não conheces,

a alguém embuçado a ameaçar nosso sonho

E que só tuas palavras poderão expulsar.

 

Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda de tua palavra

Para te descobrir,

Lanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando

Na noite emaranhada meu indeciso caminho.

Porque preciso ainda que tua palavra chegue como um vento forte

Arrastando nuvens, limpando céus e horizontes,

Levando folhas doentes, te descobrindo ao sol…

 

Um dia te gostarei em silêncio. E então me recolherei em teu silêncio,

E procurarei a sombra, como o pássaro na hora da tarde,

E porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento,

Entre a tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo.